Ouço muita gente dizendo por aí que o eSocial é um programa oportunista, que só vai aumentar a arrecadação do Estado, e defender os interesses dos trabalhadores.

Discordo frontalmente dessa visão.

Explico por quê: ainda que seja impossível negar o potencial de aumento da arrecadação por parte do Governo Federal depois que o eSocial estiver implementado, uma vez que os procedimentos de fiscalização serão mais eficazes e menos custosos, dá para dizer tranquilamente que o setor empresarial deve se beneficiar da redução de burocracia e do ganho de produtividade gerados pelas simplificações trazidas pelo eSocial. Além disso, o eSocial deve oferecer muito mais segurança jurídica para as relações trabalhistas, o que beneficia tanto empregados quanto empregadores. Ou seja, as empresas éticas nada têm a temer.

Talvez algum leitor tenha se detido no termo “simplificações trazidas pelo eSocial”, no parágrafo anterior, duvidando da ideia já que há alguns desafios tecnológicos a serem vencidos antes da implantação dos novos processos. No entanto, basta dizer que, quando plenamente implementado, o eSocial representará a substituição de 15 prestações de informações ao governo por parte das empresas por apenas uma, para que você compreenda o que quis dizer. Não é mesmo?

Para além da simplificação dos processos, entretanto, outro aspecto que deve beneficiar as empresa, em minha visão, é a chamada “racionalização dos processos de RH”. Uma vez que as informações devidas serão inseridas apenas uma vez no sistema (gerando uma guia única, que poderá ser acessada por qualquer um dos participantes), os profissionais da área de Recursos Humanos finalmente poderão buscar uma atuação cada vez mais estratégica e menos operacional. Não só diversos documentos serão deixados de lado (como DIRF, RAIS, CAT, PPP, GFIP), mas os processos vão se tornar muito mais racionais e econômicos, o que deve colaborar substancialmente para a qualidade da governança.

Se todas essas mudanças vão significar efetiva redução de custo para o setor de RH, veremos um pouco mais adiante, em médio e longo prazos. Minha aposta é positiva. Se não pela redução drástica no uso de papéis e espaço físico (a gestão documental tenderá a ser muito menor), simplesmente pelo fato de o gestor de RH estar mais liberado para pensar estrategicamente.

Sobre o Autor:

Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo – USP, Dimas de Melo Pimenta III é CEO da DIMEP Sistemas e há 17 anos desenvolve pessoas e soluções para otimizar a gestão da força de trabalho, o controle de acesso e a segurança das empresas. É também presidente da ABREP (Associação Brasileira das Empresas Fabricantes de Equipamentos de Registo de Ponto Eletrônico) e diretor da FIESP desde 2009.

Fonte: TI Rio

https://www.ti.rio/info/41906/sim-o-esocial-trara-diversas-vantagens-para-as-empresas