A fiscalização da NR-1 exige mais do que documentos atualizados. Saiba o que pode ser avaliado e prepare sua empresa 👇🏽
O que você vai ler neste post:
- Fiscalização da NR-1: quem realiza e o que pode ser analisado
- Documentos e processos: o que a empresa precisa manter atualizado
- Preparação: quais medidas ajudam a reduzir falhas e organizar a prevenção
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Falar com especialista →A NR-1 estabelece as diretrizes gerais de Segurança e Saúde no Trabalho e orienta como as empresas devem identificar, avaliar e controlar os riscos ocupacionais.
Com a nova redação do capítulo 1.5, em vigor desde 26 de maio de 2026, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho passaram a aparecer expressamente no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO.
Isso ampliou a atenção sobre sobrecarga, jornadas prolongadas, falta de apoio, assédio e outras situações ligadas à organização do trabalho.
Para se preparar, não basta produzir documentos apenas para uma possível visita do auditor. A empresa precisa demonstrar que conhece os riscos da própria operação, toma medidas de prevenção e acompanha se elas estão funcionando.
Acompanhe o artigo e saiba o que pode ser analisado durante a fiscalização da NR-1.
Como funciona a fiscalização da NR-1?

A fiscalização das Normas Regulamentadoras é realizada pelos Auditores-Fiscais do Trabalho, vinculados ao Ministério do Trabalho e Emprego. Eles verificam se as empresas estão cumprindo as regras de Segurança e Saúde no Trabalho.
A fiscalização pode ocorrer presencialmente ou por meio da análise de documentos e informações solicitadas à empresa. O auditor considera as características da atividade, os riscos existentes e as medidas adotadas para proteger os trabalhadores.
Durante esse processo, podem ser avaliados:
- o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais;
- o Programa de Gerenciamento de Riscos;
- o inventário de riscos ocupacionais;
- o plano de ação;
- os critérios utilizados na avaliação dos riscos;
- os registros das medidas de prevenção;
- a participação dos trabalhadores;
- a revisão e o acompanhamento das ações;
- a relação entre os documentos e as condições reais de trabalho.
O ponto central é a coerência. O que está registrado no PGR precisa refletir a rotina da empresa. Um documento atualizado, mas distante do que acontece com as equipes, pode não demonstrar uma gestão efetiva dos riscos.
O que mudou na fiscalização da NR-1?
A nova redação da NR-1 reforçou a identificação de perigos, a avaliação dos riscos ocupacionais, a participação dos trabalhadores e o acompanhamento contínuo das medidas adotadas.
O PGR deve conter, no mínimo, o inventário de riscos e o plano de ação. O inventário reúne os perigos identificados, os possíveis danos e a avaliação dos riscos. Já o plano de ação registra as medidas que serão adotadas, os responsáveis e os prazos.
Com a inclusão expressa dos riscos psicossociais, a avaliação também deve considerar situações relacionadas à organização e à gestão do trabalho, como:
- excesso de demandas;
- metas incompatíveis com os recursos disponíveis;
- jornadas prolongadas;
- falta de pausas ou descanso adequado;
- baixa autonomia para executar as atividades;
- conflitos frequentes;
- falta de apoio das lideranças;
- assédio, discriminação e outras formas de violência.
O Ministério do Trabalho e Emprego não determina uma única metodologia para essa análise. A empresa pode escolher as ferramentas mais adequadas à sua realidade, desde que consiga justificar os critérios utilizados e demonstrar como identificou, avaliou e tratou os riscos.
As multas da NR-1 continuam suspensas?
Sim.
O STF prorrogou por mais 90 dias a suspensão de aplicação de multas e outras sanções relacionadas às exigências sobre os fatores de risco psicossociais. A decisão buscou abrir espaço para a discussão de critérios mais claros de fiscalização.
Essa suspensão foi específica para as sanções relacionadas aos pontos questionados no processo. Ela não revogou a NR-1, não interrompeu o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais e não afastou as demais obrigações de Segurança e Saúde no Trabalho.
Também não impede que as empresas continuem sendo fiscalizadas em relação a outros itens da NR-1 e às demais Normas Regulamentadoras.
Para acompanhar os limites e os efeitos da decisão, leia também: STF suspende multas da NR-1 sobre riscos psicossociais.
O que pode ser solicitado durante a fiscalização da NR-1?

Os documentos e registros solicitados podem variar conforme o porte, a atividade e os riscos da empresa. Alguns itens precisam estar organizados para demonstrar como a prevenção é conduzida.
PGR atualizado
O Programa de Gerenciamento de Riscos deve representar as condições atuais da empresa. Mudanças nos processos, nas equipes, nos equipamentos ou na organização do trabalho podem exigir uma nova avaliação.
A NR-1 estabelece que a avaliação de riscos é um processo contínuo. Ela deve ser revista periodicamente e também quando ocorrerem situações como acidentes, doenças relacionadas ao trabalho, mudanças nos processos ou falhas nas medidas de prevenção.
Inventário de riscos ocupacionais
O inventário deve reunir os perigos identificados, os grupos de trabalhadores expostos, os possíveis danos e os critérios usados para classificar cada risco.
Com a nova redação, os fatores psicossociais relacionados ao trabalho também precisam ser considerados. O documento não deve registrar apenas que o risco existe, mas ajudar a empresa a compreender onde ele aparece e quem pode ser afetado.
Plano de ação
Identificar o risco é apenas uma parte do processo. A empresa precisa definir o que será feito para eliminá-lo, reduzi-lo ou controlá-lo.
O plano deve indicar:
- as medidas previstas;
- a ordem de prioridade;
- os responsáveis;
- os prazos;
- a forma de acompanhamento;
- os resultados esperados.
Registros das medidas adotadas
Treinamentos, orientações, alterações de processos, ajustes de jornada e ações de prevenção precisam ser registrados. Esses documentos ajudam a demonstrar que a empresa não deixou o plano apenas no papel.
Participação dos trabalhadores
A NR-1 reforça a participação dos trabalhadores na identificação dos perigos, na avaliação dos riscos e no acompanhamento das medidas preventivas.
Essa participação pode ocorrer por meio de conversas, pesquisas, reuniões, atuação da CIPA, canais internos e outros mecanismos de escuta. O processo deve oferecer segurança para que as pessoas relatem problemas sem medo de retaliação.
A fiscalização considera somente os documentos?
Não.
Os documentos são importantes, mas precisam estar de acordo com a realidade encontrada no ambiente de trabalho.
Se o PGR não aponta risco de sobrecarga, mas a empresa apresenta horas extras recorrentes, falta de pausas e afastamentos concentrados em uma equipe, pode existir uma diferença entre o que foi documentado e o que acontece na rotina.
O mesmo vale para riscos físicos, ergonômicos, químicos, biológicos e de acidentes. A fiscalização pode analisar as condições de trabalho, conversar com profissionais responsáveis e verificar se as medidas registradas foram realmente aplicadas.
Implementar um Canal de Escuta Ativa também ajuda a aproximar o gerenciamento dos riscos da experiência dos trabalhadores. Esse espaço permite que as pessoas relatem dificuldades, situações de sobrecarga e problemas nas relações de trabalho que precisam ser avaliados pela empresa.
O Kairos Vox pode apoiar essa escuta, oferecendo um canal para reunir relatos dos colaboradores. Para que essas informações contribuam para a prevenção, a empresa precisa definir responsáveis pelo acompanhamento, avaliar os relatos e encaminhar as medidas necessárias.
Por isso, a preparação não deve acontecer apenas quando a fiscalização é comunicada. Documentar, ouvir os trabalhadores e acompanhar as medidas de prevenção são ações que precisam fazer parte da rotina.
Como preparar a empresa para a fiscalização da NR-1?
A preparação começa com uma revisão do que já existe e do que ainda precisa ser corrigido.
Algumas medidas ajudam a organizar esse trabalho:
- Revise o PGR: confirme se o documento representa os processos, os setores e as condições atuais da empresa
- Atualize o inventário de riscos: inclua mudanças na operação e fatores que ainda não foram avaliados
- Verifique o plano de ação: confira prazos, responsáveis e medidas pendentes
- Reúna os registros: organize treinamentos, avaliações, atas, pesquisas e comprovantes das ações realizadas
- Ouça os trabalhadores: considere a experiência de quem executa as atividades
- Analise a jornada: observe horas extras, intervalos, descansos, escalas e outras recorrências
- Acompanhe os resultados: verifique se as medidas adotadas realmente reduziram os riscos
- Integre as áreas: RH, Segurança e Saúde no Trabalho, gestores e lideranças precisam participar do processo
- Treinamento da liderança: prepare os gestores para identificar sinais de sobrecarga, prevenir assédio, acolher relatos e encaminhar situações que precisam de avaliação.
- Documentação: registre os conteúdos abordados, as datas e a participação nos treinamentos
Esse cuidado facilita a fiscalização, mas também melhora a capacidade da empresa de identificar problemas antes que eles provoquem afastamentos, acidentes ou conflitos.
Qual é o papel do RH na fiscalização da NR-1?
O cumprimento da NR-1 não é uma responsabilidade exclusiva do RH. A empresa deve contar com o apoio de profissionais habilitados em Segurança e Saúde no Trabalho e envolver as áreas responsáveis pelas condições analisadas.
Ainda assim, o RH tem acesso a informações importantes sobre a organização do trabalho. Dados de jornada, afastamentos, rotatividade, reclamações, denúncias e alterações frequentes de escala podem ajudar a indicar onde é necessário aprofundar a análise.
Esses dados não comprovam a existência de um risco psicossocial. Eles funcionam como sinais que precisam ser avaliados junto a outros registros, à escuta dos trabalhadores e à análise técnica.
Como a gestão da jornada ajuda na preparação?
A jornada de trabalho é uma das fontes de informação que ajudam a empresa a compreender como o trabalho está sendo organizado.
Com um sistema de gestão, o RH pode acompanhar:
- horas extras recorrentes;
- intervalos não realizados;
- trabalho durante períodos de descanso;
- mudanças frequentes nas escalas;
- concentração de sobrecarga em determinados setores;
- atrasos e ausências que se repetem;
- necessidade constante de correções antes do fechamento.
O Kairos da Dimep reúne os registros da jornada, mantém o histórico das informações e permite configurar alertas para situações que exigem atenção. Assim, o RH ganha mais base para revisar processos, orientar gestores e apoiar a análise dos riscos ocupacionais.
A tecnologia não substitui a avaliação dos profissionais responsáveis pela NR-1. Ela organiza informações da rotina que podem tornar essa análise mais consistente.
Preparação para a NR-1 começa antes da fiscalização
A fiscalização da NR-1 pode analisar documentos, processos e as condições reais de trabalho. Por isso, preparar a empresa significa manter o PGR atualizado, acompanhar o plano de ação, envolver os trabalhadores e registrar as medidas adotadas.
Mesmo diante de uma suspensão temporária de determinadas sanções, a prevenção continua. Empresas que organizam esse trabalho com antecedência conseguem responder melhor à fiscalização e tomar decisões mais seguras para proteger as pessoas.
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